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A ascensão de Phil Spencer na Microsoft, e a queda do CEO do PlayStation. O que aconteceu?

A ascensão de Phil Spencer na Microsoft, e a queda do CEO do PlayStation. O que aconteceu?

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Um troca polêmica de cadeiras aconteceu na indústria dos games, e vimos um líder subir e outro deixar o cargo. Claro, isso reflete diretamente em suas respectivas marcas.

Analisar mudanças de lideranças não é uma tarefa difícil, pois normalmente a maioria dos dados necessários para isso são públicos. Um exemplo não tão distante foi Steve Jobs, ao contrair câncer, passou o bastão para Tim Cook. Contudo, neste caso foi por motivo de saúde e não má gestão. Normalmente a derrocada de um CEO é quando a empresa não está conseguindo crescer como o esperado, e acima de tudo, quando o CEO comete erros.

Na Microsoft, vimos Steve Ballmer deixar o cargo de CEO em 2014. Windows Vista/8, Windows Phone e Surface RT. Este último teria gerado um bilhão de dólares em prejuízos, a compra da Nokia nunca foi bem vista. Contudo, Ballmer foi o cara do Xbox 360 e Windows 7, e teve grandes vitória em sua gestão. Em seu lugar, temos Satya Nadella, que em pouco mais de três anos fez a Microsoft quase dobrar o valor de mercado. Porém, estamos aqui para falar do Playstation e Xbox. Os exemplos acima só foi para exibir motivos de trocas de liderança.

Phil Spencer

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Phil Spencer, antes “apenas” chefe da divisão do Xbox, ainda continua como tal, contudo agora subiu para o posto de um dos líderes da própria Microsoft – nós explicamos tudo neste artigo. O Xbox nunca foi tão alto na empresa, sempre estava abaixo do Office, Windows e Azure na hierarquia da Redmond. Mas como Phil e sua equipe conseguiu isso?

Para eles, antes da era Phil, três erros precisaram ser corrigidos, e são: Xbox Live, hardware e jogos. Em sua gestão, vimos nascer a retrocompatibilidade, cross-play-buy, Mixer, Game Pass, melhorias importantes no sistema, e tudo isso foi visto como algo positivo, sempre acolhendo a opinião dos fãs. O hardware foi “arrumado” com o Xbox One X e ainda falta por ordem na casa no quesito jogos. Sem datas longas para o lançamento, sem cancelamentos, e muitas vendas.

Andrew House

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Andrew House deixou a presidência e o cargo de CEO da Sony Interactive Entertainment, divisão de jogos e serviços que inclui o PlayStation.

“O PlayStation tem sido uma grande parte da minha vida por mais de 20 anos, mas com os negócios alcançando sucesso um recorde, agora parece ser o momento certo para eu enfrentar novos desafios”, afirmou em um comunicado. “Vou sempre guardar no coração as amizades e as pessoas que fizeram da SIE um local de trabalho tão fantástico”.

De acordo com o anúncio oficial no website da Sony, House vai continuar na Sony Interactive Entertainment como Chairman até ao final do ano, de modo a garantir uma adequada transição, continuando depois como diretor Chairman da SIE.

Será mesmo que o ele saiu em busca de novos desafios após ter alcançado um “sucesso recorde”? A começa, pelos dados fornecidos, o recorde ainda é do PS2. Será que a marca PlayStation atingiu o ápice? Bem, hora de pensar um pouco, pois como dito acima, as quedas dos CEOs, se não for pela saúde, normalmente é por algo que não deu tão certo.

Mais recentemente, o presidente trabalhou no headset PlayStation VR e que foi lançado há cerca de um ano e vendeu mais de um milhão de unidades. Bem, se você assistiu a conferência da Sony na E3 2017, a não ser que você goste de pescar, você sabe que não precisa de um. As vendas são baixas para a grande base de usuários da Sony.

A Sony adora falar quantos PS4 foram vendidos, mas alguns dados ainda são escuros: quantos assinantes do PSNow? Ou Quantas unidades do PS4 Pro foram vendidas? O interesse por tais produtos mostra  ser baixo, enquanto serviços da Xbox Live mostram bons resultados como a retrocompatibilidade (isso vende jogos!), preços mais baixos, Game Pass e EA Access. Além no número de assinantes da Xbox Live pagantes que só aumenta. Na PSN Plus tinha até maio 26 milhões de assinantes, na Xbox Live tem média 50 milhões (até junho).

O Xbox One X vendeu em apenas dois dias o que o PS4 Pro vendeu o ano todo até o mês de agosto na Amazon Estados Unidos, a maior varejista do mundo. Notem, todos analistas acreditavam que o XboneX iria encalhar por ser 100 dólares mais caro que o Playstation 4 Pro. Vale notar, o “X” ficou em primeiro lugar como mais vendido, mesmo esgotado.

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A marca Playstation parou no tempo, e até hoje o ponto alto é The Last Of Us do PS3, Uncharted e God Of War – Gran Turismo a Microsoft já conseguiu “matar”. Até a metade do ano, Horizon Zero Dawn atingiu 3.4 milhões, em uma base com mais de 60 milhões de consoles, o resultado precisa melhorar. Não é à toa que a Sony abriu a conferência E3 2017 com DLC’s, isso é uma forma de tentar gerar mais receita para pagar os custos de filmes hollywoodianos que os games “AAA” carregam.

Em suma, enquanto a marca Xbox avança e tem muitos mais benefícios do que Forza, Halo e Gears, o Playstation vive ainda como se estivesse na geração passada, e a mudança de gestão poderá trazer uma maior inovação que a Sony tanto precisa. Claro, a Microsoft precisa de mais jogos que gerem lucros, que vendam e agreguem valor, como é o caso do Cuphead, possivelmente do PUBG e Forza 7.  Notem, jogos como Ryse e Sunset Overdrive são ótimos, mas estamos aqui analisando não o gosto pessoal, mas os números frios da lucratividade, e eles não agregam tanto valor a marca, infelizmente.

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Com ótimos serviços Xbox Live, um ótimo hardware no mercado, a Microsoft só tem que trazer jogos de sucesso ao Xbox, manter seus título fortes, reviver seus IPs cobiçados e investir o dinheiro em projeto mais consistentes para evitar cancelamentos.

Phil Spencer tem feito um ótimo trabalho, a Microsoft reconheceu isso, mas Andrew House não teve tanta sorte assim.

Jorge Henrique
Sou advogado, jornalista e fã da plataforma Windows há cerca de 10 anos. Faço cobertura em eventos e estou diariamente atento a respeito do universo da Microsoft no que tange aos produtos para os consumidores. Respondo como editor-executivo do Windows Club. Estou no Facebook e no Instagram a sua disposição.