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O que já sabemos da estratégia do Xbox que pode ser vantagem na próxima geração

Mais de uma semana se passou desde que a Sony anunciou parte da tecnologia que será lançada no PlayStation 5, e a Microsoft tem se mantido em silêncio. A dona do Xbox, segurando suas cartas perto do peito, não deve causar surpresa, já que a E3 está a um pouco mais de um mês de distância, e estou confiante de que a equipe não tem nada com que se preocupar. Desde a concepção do Xbox One X, a empresa vem perseguindo o apelido de “O Console Mais Poderoso do Mundo”, e eu duvido que ela queira renunciar a afirmações assim facilmente. Apesar das pesadas especificações que serão encontradas no PS5, a Microsoft não deve se sentir ameaçada, já que já expressou suas intenções em relação ao hardware futuro.

Embora a empresa não precise se preocupar com o anúncio de sua concorrência neste momento, a Microsoft não deve ignorar os recursos já apresentados. Para ter sucesso na próxima geração e rivalizar com o próximo PlayStation, a Microsoft terá que competir ao longo de uma linha tecnológica, bem como descobrir o que a Sony fez com o PS4 que para ter conseguido o sucesso.

Com relação às especificações do PS5, a Microsoft deve buscar a perfeição nas categorias em que a Sony vai se comprometer. O desejo de tornar seu hardware à prova do futuro, implementando recursos que ainda não estão otimizados para entretenimento doméstico, forçará a Sony a priorizar a fidelidade visual em vez da estabilidade de desempenho – este deverá ser o Calcanhar de Aquiles do PS5. Enquanto a Sony acredita que o Raytracing deve ser implementado para o hiper-realismo, a Microsoft já utiliza a API DirectX Raytracing (DXR) que parecer ser muito menos desgastante para o desempenho do hardware. Diante disso, a Microsoft deve dobrar a otimização para se destacar de seus concorrentes. O Xbox One X já provou que um console pode fazer 4K, e com o “Xbox Scarlett”, a Microsoft precisa mostrar que 4Kfps é um padrão daqui para frente.

Antes que qualquer outra suposição seja feita, a Microsoft expressou o desejo de renunciar o modelo gerações de consoles tradicionais em favor de hardware iterativo (similar aos que acontecem com os smartphones) que dará aos consumidores a oportunidade de atualizar sempre que acharem melhor – muitas opções de escolha. Dada essa informação, a empresa parece estar se concentrando em recursos que garantirão o hardware mais poderoso em um determinado momento. O desejo da Sony de implementar inúmeras tecnologias futuras (que não estão presentes na nossa atualidade) virá com um sacrifício, e a história mostra que o desempenho sempre anda de um lado para o outro. Ao abordar esse problema de um ângulo diferente, a Microsoft ainda será capaz de produzir consistentemente o console mais poderoso, pois otimizará totalmente todos os títulos, independentemente da idade.

Isso leva à minha próxima opinião controversa em que o próximo console da Microsoft deve inicialmente ignorar a corrida por 8K. No entanto, a Microsoft não deve abrir mão da busca por 8K por completo, mas sim entender quando puder, mais uma vez, ganhar vantagem sobre o PlayStation. A decisão da Sony de repetir as gerações de consoles garante que o PS5 será seu carro-chefe nos próximos anos. A longevidade do PS5 pode ser deduzida de seu desejo de implementar suporte a 8K, que provavelmente será uma resolução em checkerboard (não nativa) e a probabilidade de que isso seja feito para evitar a necessidade de um PS5 Pro.

Quando a Microsoft revelou o Xbox One X e sua capacidade de produzir resoluções 4K nativas, ela consequentemente mostrou os cantos que a Sony cortou em sua ânsia de manter o primeiro lugar. Embora o checkerboard do PS4 Pro renderizado em 4K seja um avanço, quando mantido em comparação com a resolução nativa do X, seus defeitos se tornam aparentes. No topo da resolução, o X provou que seu poder era capaz de fornecer um desempenho mais estável quase todas as vezes. A Digital Foundry comprovou consistentemente a proeza do Xbox One X em relação ao PS4 Pro durante suas comparações técnicas, em que os títulos da máquina da Microsoft superaram a concorrência em 95% do tempo. A Microsoft mostrou com o Xbox One X que o console mais poderoso é aquele que pode fornecer a experiência mais completa do ponto de vista técnico.

Eu não expresso meu desejo de que a Microsoft ignore 8K por falta de visão, mas sim por uma vantagem de longo prazo. Como a Sony fez com a implementação 4K do PS4 Pro, provavelmente fará o mesmo com 8K, permitindo que a Microsoft liberte uma atualização incremental por vários anos no futuro, sem nenhum comprometimento. Nesse ponto, a tecnologia 8K estará mais disponível e acessível, garantindo à Microsoft uma vitória quando introduzir uma implementação nativa. Com essa trajetória, a Sony voltará a encontrar-se em desvantagem tecnológica, como é agora com o PS4 Pro.

Note, atualmente alcançar a resolução 4k nativa ainda é um luxo, e mais luxo ainda são as TVs em 8K. É muito, mas muito improvável que o PS5 consiga alcançar a resolução 8K nativa, mas parece que a Sony mira nisso e essa questão fará com o desempenho e a qualidade visual do jogo possa ser comprometida em virtude de uma resolução exagerada para a nossa atual realidade.

Além disso, a expressão da Sony de total retrocompatibilidade dos jogos do PS4 com o PS5 vem em um alívio para muitos que temiam a possibilidade de a história se repetir. A retrocompatibilidade não apenas inflaciona títulos e experiências já no lançamento, como também recompensa os jogadores que investem no ecossistema da empresa. A Microsoft liderou definitivamente essa geração com sua implementação da retrocompatibilidade, pois serve como uma alternativa perfeita para o problema. Além disso, a trajetória atual da Microsoft já está à frente do que a Sony está planejando para o PS5. Atualmente, a retrocompatibilidade do Xbox apresenta títulos do Xbox 360 e os títulos do Xbox originário. No seu lançamento, o PS5 terá apenas os títulos do PS4.

O Xbox tem a vantagem no que diz respeito à retrocompatibilidade, porque já garantiu a promessa de implementação futura. Na frente de desenvolvimento, a Microsoft tem um departamento dedicado que se concentra na retrocompatibilidade de software com o Xbox One e garante o melhor desempenho e aprimoramentos que os títulos podem receber. Acredito que essa é outra categoria que a Microsoft pode liderar durante a próxima geração, alocando recursos para garantir que todos os títulos anteriores possam utilizar e aproveitar o hardware atual e futuro.

Ao melhorar automaticamente todos os jogos anteriores, a Microsoft solidifica ainda mais o próximo Xbox com o título “O Console Mais Poderoso do Mundo”. Mark Cerny já mostrou o Homem-Aranha da Marvel do PS4 rodando melhor em hardware do PS5, no entanto, esse é um título exclusivo para PlayStation, e o melhor interesse da Sony é que ele tenha um desempenho melhor. A Microsoft também aprimorou os títulos exclusivos anteriores para aproveitar o hardware do Xbox One X, mas não excluiu essas vantagens de inúmeros títulos de terceiros para garantir que eles realmente rivalizam com seus equivalentes de PC. A Microsoft tem construído um império na retrocompatibilidade durante anos e que vai além de mera compatibilidade, mas muitos são jogos “antigos” melhorados e que funcionam melhores que suas versões para o PC na atualidade.

Em última análise, nós falamos apenas das vantagens em questões de hardware e quesitos geracionais, e não adentramos em outros pontos positivos como serviços como o promissor Project XCloud, Game Pass, Play Anywhere, Live Gold, entre outros. Contudo, o sucesso da Microsoft na próxima geração não será totalmente dependente de suas inovações de hardware, mas sim do desenvolvimento de títulos first party (exclusivos). Neste ponto, a Microsoft sabe que precisa melhorar seu desempenho, e a compra de vários estúdios foi justamente nesta intenção. Só o tempo dirá como a Redmond vai lidar com isso e com a E3 muito próxima, a indústria verá em breve o que o Xbox será capaz de fazer. A Microsoft tem tudo para provar este ano durante a E3 que é melhor em tudo, ao mesmo tempo, sem pressa alguma, pois tem o palco inteiro para si.

Jorge Henrique
Sou advogado, jornalista e fã da plataforma Windows há cerca de 10 anos. Faço cobertura em eventos e estou diariamente atento a respeito do universo da Microsoft no que tange aos produtos para os consumidores. Respondo como editor-executivo do Windows Club. Estou no Facebook e no Instagram a sua disposição.