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Scorn, terror biomecânico de HR Giger e gameplay de cair o queixo

Dizem que no espaço ninguém pode ouvir seus gritos. Eles também dizem que quando temos um pesadelo terrível, nossa mandíbula está completamente fechada e não há possibilidade de abri-la. Então acordamos, gritando e pulamos para a segurança da cama. Pesadelos fazem parte do nosso desenvolvimento quando crianças, quando começamos a entender que existem coisas que podem nos prejudicar. O medo do imaginário, os medos inconscientes, também se juntam, especialmente quando temos esse conceito de histórias e filmes. Ou nenhum de vocês jamais sonhou com algumas das criaturas mais assustadoras da ficção?

Meus pesadelos estavam relacionados a coisas que vi na televisão. Já com seis anos, ela passava muitas tardes assistindo filmes como Jurassic Park ou Aliens, expressando muitas reações emocionais quando os velociraptores tentavam caçar os pequenos ou no momento em que o tenente Ripley começa a se equipar com suas melhores armas para salvar Newt de uma horda de xenomorfos, os sobreviventes que não são afetados pela consciência, remorso ou fantasias da moralidade, pois não conhecem misericórdia. E é disso que trata o texto: das terríveis criações de HR Giger para a saga Alien.

H.G Giger se consagrou pelo mundo todo por elaborar ambientes e seres extraterrestres dos filmes da série “Alien”. O último foi lançado recentemente em 2017, diga-se de passagem. Consegue unir, na seu imaginário, uma criatividade deslumbrante de inclinações sombrias com uma técnica de representação inovadora que passa pela utilização do aérografo para a construção das suas “paisagens biomecânicas” incrivelmente detalhadas. As obras de Giger são marcadas por simbioses perfeitas entre o mecânico e o biológico, dando viada a universos e criaturas totamente estranhas.

A fusão entre o orgânico e o artificial

Desde que o artista suíço ilustrou seu futuro Alien no Necronomicon em 1978 com sua cabeça e seu corpo humanóide, ele demonstrou que era um mestre do horror. Tanto que, para o filme de Ridley Scott, ele reutilizou muitos dos desenhos que chamaram sua atenção, especialmente se nos refugiarmos nas inúmeras estruturas biomecânicas que fazem parte do xenomorfo e da nave alienígena. Na verdade, eu chegaria ao ponto de dizer que, sem o envolvimento de Giger, Alien não seria a obra-prima que é, pois essa criatura assustadora é magnética o suficiente para realizar uma franquia de filmes imensamente popular.

Além dos filmes, o trabalho de Giger também teve reflexo em alguns jogos, onde ele deixou direta ou indiretamente seus sinais de identidade e valores. Jogos como Metroid e suas semelhanças com o filme Alien são muitas e manifestados por ambas as partes criativas, especialmente se confiarmos no design de alienígenas e nos próprios cenários. Até a própria Blizzard Entertainment também não escapou dessas referências com os seres orgânicos Zerg.

Scorn

Esse desejo de humanizar o terror, de abraçar o estilo característico do artista e escultor suíço, também está presente em Scorn, uma tentativa de mesclar o orgânico e o artificial. Uma tentativa que apareceu originalmente em 2014 sob a Ebb Softwaree dedicado ao gênero de terror em primeira pessoa. Uma tentativa que vem à tona novamente para ganhar uma posição na próxima geração de consoles. O que se sabe até agora é que é um shell modificado que promete abraçar seu cenário para nos contar uma história que abrange um mundo com diferentes regiões interconectadas. De fato, cada região promete ser uma estrutura semelhante a um labirinto com vários caminhos, além de numerosos perigos para seu crédito.

Abaixo, temos um excelente gameplay do título.  Tenha em mente que a maioria das pessoas o acham nojento, particularmente acho lindo, muito lindo. Cabe notar que os gameplays são antigos, mas pode nos ajudar a dar uma melhor ideia sobre o jogo. Assista, vale muito a pena ver até o final:

Mas, acima de tudo, Scorn é um trabalho que defende o sentimento de isolamento e perda. Uma obra que nos apresenta um mundo desconhecido, inóspito e hostil que ninguém em sã consciência desejaria: um pedaço de terreno abandonado no meio do espaço habitado por criaturas impertinentes e insanas. Uma obra que trará à luz as loucuras que nos cruzam.

Jorge Henrique
Sou advogado, jornalista e fã da plataforma Windows há cerca de 10 anos. Faço cobertura em eventos e estou diariamente atento a respeito do universo da Microsoft no que tange aos produtos para os consumidores. Respondo como editor-executivo do Windows Club. Estou no Facebook e no Instagram a sua disposição.